O impacto da pandemia no agronegócio brasileiro


Se tem falado repetidas vezes sobre os impactos econômicos e sociais que a Covid-19 trouxe para o Brasil e para o mundo. Desemprego crescendo, empresas fechando, pessoas indo à falência, quarentena forçada, são apenas algumas consequências desse primeiro semestre de 2020.

Mas como sempre, nem tudo está perdido e podemos enxergar uma luz no fim do túnel. Não para tudo, é claro, mas pelo menos para alguns setores que, ou estão sobrevivendo e se reinventando, ou até mesmo crescendo durante a pandemia. 

Estamos falando em especial do setor de agronegócio. Responsável por 21,4% do PIB brasileiro, segundo o senso de 2019, o agronegócio apesar de todas as restrições, vem apresentando crescimento e alta durante o período crítico da Covid-19. 

O impacto nas safras

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) diminuiu a projeção de crescimento do agronegócio em ao menos 0,5% para 2020, devido à pandemia. Inicialmente o aumento era de 2,9% mas o reajuste fez com que o número caísse para 2,4%.

Isso se dá pela queda mundial na economia e nas safras de commodities. O mercado de algodão foi o que mais sofreu no país. Nos primeiros meses do ano, com a principal compradora do produto, a China, tendo suas fronteiras fechadas, levou a uma baixa na exportação. Outro fator que também levou à instabilidade foi a  queda nas bolsas de valores, fazendo com que preço do algodão recuasse 7%, deixando o preço da libra-peso abaixo de 67 centavos durante fevereiro.

Positividade apesar de tudo

No ano passado, o valor bruto da produção (VBP) agropecuária alcançou a marca de R$ 651,5 bilhões, sendo que 61% da produção agrícola e 39% do setor pecuário. Segundo as projeções mais otimistas realizadas antes da crise, o VBP deve chegar na marca de R$728,68 bilhões, sendo 62% do ramo agrícola e 38% do ramo pecuário representando um aumento de 11,8% em relação a 2019.

Apesar das medidas de restrição, o setor agropecuário tem tido um desempenho relativamente melhor do que comparado a outros setores mais impactados pela crise, garantindo o abastecimento interno, e apresentando crescimento de 1,9% do PIB  do agronegócio no primeiro trimestre do ano. 

Durante o primeiro quadrimestre de 2020 em relação a 2019, o volume das exportações do agronegócio cresceu 11%, uma surpresa tendo em vista os fechamentos de fronteiras e as receitas em dólar subiram 5,9%. Tendo em vista que, com o real desvalorizado, há um maior poder de compra estrangeiro sobre os produtos brasileiros. Apenas para a China, o crescimento foi 26% em receita de 28% em volume.

Outro fator relevante e que justifica o crescimento mesmo em meio a pandemia é que, as medidas de isolamento tiveram um impacto menor no agronegócio do que em outros setores. A maioria dos trabalhadores puderam continuar as suas atividades, assegurando seus empregos e rendas familiares.

Sabe-se que 1 de cada 3 trabalhadores brasileiros trabalha no agronegócio. Dados de 2015 mostram que do total de trabalhadores do setor 13 milhões desenvolvem atividades de agropecuária, 6,43 milhões no comércio agropecuário, 6,4 milhões nos agrosserviços e 4,64 milhões na agroindústria. 

Incertezas

Mesmo com os números apresentando uma melhora significativa, ainda somos permeados pelas mais diversas incertezas com relação ao futuro. Segundo estudos, a crise do novo coronavírus, pode afetar o número de novas vagas no agronegócio, por exemplo, em especial para os estabelecimentos de menor porte (agropecuários, agroindustriais ou de agrosserviços), pois acabam sendo os mais vulneráveis a situações instáveis e representantes mais importantes na geração de novos emprego no campo.

Outra preocupação levantada, são as agroindústrias que dependentes do mercado interno, como móveis e atividade têxtil, que sentem um impacto negativo com a crise da economia nacional, já que não se encontram nas prioridades de consumo. Além disso, as indústrias de laticínios sofrem com as baixas, por terem o maior valor agregado para o produto alimentar, e por fim, a indústria de biocombustíveis, que sente interferências diretas causada especialmente pela fraca demanda interna durante o isolamento social e pela queda nos preços do petróleo.

Segundo estudiosos, as incertezas dependem diretamente da duração do período de restrições e do agravamento da crise sanitária, seja aqui no Brasil como em outros países. E apesar da crescente que o setor do agronegócio vem sofrendo, deve se manter em mente que o futuro continua incerto.

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