Qual é o futuro do etanol no Brasil: perspectivas para o biocombustível


Até algum tempo atrás, o etanol era considerado o combustível do futuro. Muito se falou sobre como ele seria o substituto ideal para a gasolina. Nos anos 70, o governo criou até um programa de incentivo visando impulsionar o álcool. Mas, depois de vários altos e baixos, do desenvolvimento da tecnologia para carros elétricos, da produção de outros combustíveis, será que o futuro do etanol estaria realmente comprometido?

Felizmente, os produtores podem respirar aliviados: a resposta é “não”. Embora venha enfrentando muitos desafios ao longo do tempo, o álcool brasileiro está prestes a entrar em uma fase de maior estabilidade e otimismo.

Como um combustível renovável e menos agressivo ao meio ambiente, o futuro do etanol tem, ainda, tudo para ser promissor. Com o objetivo de reduzir as emissões de carbono no país, entrará em vigor no próximo ano um programa para estimular o renascimento do setor sucroalcooleiro – o RenovaBio. Trata-se de uma excelente oportunidade para o Brasil – que já é o segundo maior produtor de álcool do mundo, ficando atrás apenas da Índia.

Histórico da produção de álcool no país

Para fazer qualquer tipo de conjectura sobre o futuro do etanol, precisamos, antes, fazer uma breve incursão pelo passado do biocombustível. Essa história começa na década de 70: com as crises que levaram a um aumento estrondoso do barril do petróleo e impactaram fortemente a balança comercial brasileira, o Governo Federal junto à iniciativa privada buscou uma saída para a redução da dependência do petróleo importado.

A primeira fase do programa Proálcool teve a implantação de destilarias anexas às usinas de cana de açúcar começou em 1975. O objetivo era produzir etanol para misturar na gasolina. Já em 1979, iniciou-se a implantação de destilarias autônomas para produção de álcool hidratado para consumo puro nos veículos. Nesse contexto, a indústria automobilística brasileira se destacou ao desenvolver um motor movido a etanol. Dessa forma, ela assumiu um papel de protagonista frente ao mercado mundial.

O Proálcool deu certo em função da forte intervenção governamental que instaurou uma série de medidas a favor do futuro do etanol. Em 1988, 90% da frota vendida no país era movida exclusivamente a álcool. Durante duas décadas, os ganhos de produtividade foram grandes e o biocombustível passou a ser tão competitivo quanto a gasolina.

Período de volatilidade marcou o setor após ProÁlcool

Desde então, contudo, a partir da Constituição de 1988, o mercado do álcool passou por um período de grande volatilidade. Com a redução da intervenção do Estado sobre o setor sucroenergético, começa um período de forte expansão da produção e exportação de açúcar pelo Brasil.

O cenário começa a mudar novamente e o futuro do etanol passa a ter uma nova chance no início dos anos 2000. O crescimento do mercado do etanol é impulsionado pela criação do carro flex, que roda com gasolina e etanol. O consumidor pareceu gostar da novidade desenvolvida no Brasil: hoje 65% da frota brasileira aceita ambos os combustíveis.

Entre os anos de 2003 e 2010, 107 usinas foram construídas e mais de 53 milhões de toneladas foram adicionadas à produção de cana no país. No entanto, o setor voltou a entrar em crise a partir de 2008 e nos anos seguintes viveu o seu pior momento.

Com a elevação da taxa de juros, a restrição ao crédito, a inflação em alta, a defasada taxa de câmbio e os preços congelados, o setor passou a operar com margens negativas. O protecionismo dos países desenvolvidos também prejudicou fortemente a formação de um mercado mundial de biocombustíveis.

Entraves ao futuro do etanol devem ficar para trás

Depois de viver um duro golpe entre 2011 e 2014, quando a política de preços da Petrobras foi utilizada para tentar controlar a inflação, o otimismo voltou a estar presente nas projeções do futuro do etanol.

Em 2017, o Governo Federal lançou o RenovaBio, uma política de combustíveis que deve entrar em vigor em 2020, O programa trará grandes investimentos para a indústria sucroalcooleira ao longo de uma década.

O principal objetivo do RenovaBio é reduzir as emissões de gás carbônico na atmosfera. Isso através do aumento da produção e do consumo de energias renováveis. A meta é que até 2028 as emissões diminuam em 10% em relação ao patamar de 2018.

Como funciona o RenovaBio

As usinas que se inscreverem no programa deverão ser certificadas por uma firma inspetora cadastrada na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Durante esse processo, elas farão um inventário de emissões de carbono de toda a sua operação.

A partir dessa inspeção, a usina receberá um certificado com uma nota de eficiência energético-ambiental. Ele será convertido em créditos de descarbonização (CBios) que poderão perser comercializados ao longo de três anos. A quantidade de créditos é baseada no volume de etanol produzido: cada CBio corresponde a 1 tonelada de carbono que deixa de ir para a atmosfera com a utilização de biocombustível.

A iniciativa é promissora para o futuro do etanol, pois a previsão é que, quando o programa estiver em vigor, o setor receba R$ 1,3 trilhão em recursos ao longo de 10 anos. Espera-se, portanto, que o RenovaBio represente um forte ciclo de crescimento econômico para os estados produtores de cana.

Novas tecnologias e acordos a favor do futuro do etanol

Saindo na frente novamente, a indústria automobilística brasileira lançou recentemente uma tecnologia inédita. A Toyota acaba de apresentar o primeiro carro híbrido flex do mundo capaz de rodar com etanol, gasolina e energia elétrica.

O sedã possui dois motores e promete ser o carro menos poluente a circular no planeta até então. Utilizando o combustível de fonte totalmente renovável, o veículo emite cerca de 30g de gás carbônico/km. O valor é surpreendente se pensarmos que um carro exclusivamente movido à gasolina libera 145g/km. Já um carro elétrico, considerando todo o ciclo para produção de energia, emite cerca de 65g.

A notícia é ótima para o setor que está em clima de renascimento com a nova política de incentivo. Além das tendências em tecnologia, também está a favor do futuro do etanol o novo acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia. Atualmente, a tarifa de R$ 0,19 aplicada por litro exportado impede o acesso ao mercado europeu.

O cenário, contudo, está prestes a mudar. O acordo prevê que o Brasil tenha uma cota com isenção tributária para vender o biocombustível aos países da região. O volume ainda não foi divulgado, mas, juntamente com os outros fatores que levantamos aqui, o setor sucroalcooleiro está, com certeza, entrando em uma fase de expansão e fortalecimento.

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